Calculadora do Trabalhador Tabelas 2026

CLT ou PJ?

A comparação honesta considera 13º, férias, FGTS e o que você deixa de receber. Aqui ela sai pronta, com o valor que o PJ precisaria faturar para empatar.

Atualizado em 13 de agosto de 2026

Proposta CLT

R$
R$

Proposta PJ

R$
R$
R$

O pró-labore define o Fator R e, com ele, se você paga 6% ou 15,5% de imposto. A calculadora identifica o anexo automaticamente.

Comparativo anual
CLT no ano R$ 0
PJ no ano R$ 0
Diferença anual R$ 0,00

Por que comparar salário com nota fiscal engana

A proposta PJ quase sempre chega com um número maior, e é natural achar que ela ganha. Mas os dois valores não são comparáveis: o salário CLT vem acompanhado de parcelas que não aparecem no contracheque mensal e que, somadas, valem bem mais do que parecem.

Um contrato CLT de R$ 8.000 não entrega 12 pagamentos por ano. Entrega 13 salários, mais um terço de férias, mais 8% de FGTS depositados todo mês, mais os benefícios. Antes de qualquer conta de imposto, o valor anual já é cerca de 25% maior que doze vezes o salário.

CLT no ano = 12 salários + 13º + férias + 1/3 + FGTS + benefícios
PJ no ano = 12 notas − impostos − contador − INSS do pró-labore

Do outro lado, o PJ paga menos imposto sobre o mesmo valor bruto — e é aí que a conta pode virar. A pergunta certa não é "qual número é maior", e sim quanto o PJ precisa faturar para empatar. É isso que a calculadora acima responde.

Fator R: a regra que dobra o seu imposto

Prestadores de serviço no Simples Nacional podem cair em dois anexos diferentes, e a diferença é enorme. Na primeira faixa, o Anexo III começa em 6% e o Anexo V em 15,5%. O que decide é o Fator R:

Fator R = folha de pagamento dos últimos 12 meses ÷ receita bruta dos últimos 12 meses
É por isso que pagar um pró-labore maior pode reduzir o imposto total. Quem fatura R$ 10.000 por mês e retira apenas o pró-labore mínimo fica com Fator R de 16% e cai no Anexo V. Elevando o pró-labore para R$ 2.800, o Fator R chega a 28% e a alíquota cai de 15,5% para 6%. Paga-se mais INSS, mas economiza-se muito mais imposto.

Na prática o Fator R considera também os encargos sobre a folha, o que ajuda a atingir os 28% com um pró-labore um pouco menor. A calculadora usa apenas o pró-labore, o que torna a estimativa conservadora — na vida real seu contador costuma conseguir um resultado ligeiramente melhor.

Tabela do Simples Nacional para serviços

Receita em 12 mesesAnexo IIIAnexo V
Até R$ 180 mil6,0%15,5%
Até R$ 360 mil11,2%18,0%
Até R$ 720 mil13,5%19,5%
Até R$ 1,8 milhão16,0%20,5%

As alíquotas da tabela são nominais. A partir da segunda faixa existe uma parcela a deduzir, o que faz a alíquota efetiva ficar sempre menor que a nominal. A calculadora já aplica esse desconto.

O que você perde ao virar PJ

A parte que nenhuma proposta menciona:

DireitoCLTPJ
13º salárioSimNão
Férias remuneradas + 1/3SimNão
FGTS e multa de 40%SimNão
Aviso prévioSimNão
Seguro-desempregoSimNão
Auxílio-doençaSimDepende da contribuição
Licença-maternidadeSimDepende da contribuição
Contribuição para aposentadoriaSobre o salárioSobre o pró-labore
O detalhe da aposentadoria é o mais silencioso. Quem contribui sobre o pró-labore mínimo por vinte anos vai se aposentar recebendo perto de um salário mínimo, mesmo tendo faturado R$ 15 mil por mês esse tempo todo. O INSS considera a contribuição, não o faturamento. Quem opta por PJ e quer manter a aposentadoria precisa recolher sobre um valor maior — o que muda a conta e deve entrar na comparação.

Ficar doente sai caro

PJ que não trabalha não fatura. Uma cirurgia com 40 dias de recuperação significa mais de um mês sem receita, enquanto o CLT recebe os primeiros 15 dias da empresa e depois o auxílio do INSS. A recomendação corrente entre contadores é manter uma reserva de pelo menos seis meses de custo de vida antes de aceitar uma proposta PJ — e essa reserva precisa sair do próprio ganho extra.

Quando o PJ é legal e quando é pejotização

Contratar PJ é lícito para prestação de serviço autônoma. Vira fraude quando existem, ao mesmo tempo, os elementos do vínculo empregatício: pessoalidade, habitualidade, onerosidade e, principalmente, subordinação.

Bater ponto, cumprir horário fixo determinado pela empresa, receber ordens diretas de um chefe, participar de reuniões obrigatórias e não poder mandar outra pessoa no seu lugar são indícios fortes de vínculo. Nesse caso a Justiça do Trabalho pode reconhecer o contrato como CLT e condenar a empresa a pagar todas as verbas do período — férias, 13º, FGTS e multa.

O tema está em discussão nos tribunais superiores e a jurisprudência vem mudando. Se a sua rotina como PJ for idêntica à de um empregado, vale conversar com um advogado trabalhista antes de assinar.

Perguntas frequentes

Quanto a mais eu devo pedir para aceitar PJ?

Use o ponto de equilíbrio calculado acima como piso, não como meta. Ele iguala o dinheiro, mas não compensa o risco de ficar sem renda, a perda do seguro-desemprego nem o custo do seu tempo cuidando da empresa. Pedir de 20% a 30% acima do ponto de equilíbrio é uma referência usada com frequência no mercado.

Distribuição de lucros paga imposto?

Hoje a distribuição de lucros de empresa do Simples Nacional é isenta de Imposto de Renda para o sócio, desde que haja lucro contábil apurado. É justamente essa isenção que torna o PJ tributariamente vantajoso. O tema aparece com frequência em propostas de reforma tributária, então vale acompanhar.

Posso ser MEI e prestar serviço para uma empresa só?

Pode, mas é arriscado. Prestar serviço exclusivamente para um único contratante, em horário fixo e com subordinação, é o cenário clássico de reconhecimento de vínculo. O MEI também tem teto de R$ 81 mil por ano, o que dá R$ 6.750 por mês, e não pode exercer qualquer atividade — a lista é fechada.

Como fica o financiamento imobiliário sendo PJ?

É mais trabalhoso, mas possível. Bancos costumam pedir de 6 a 12 meses de extratos, declaração de Imposto de Renda e, às vezes, contrato de prestação de serviços. A análise tende a considerar uma renda menor que a real, e a taxa pode sair um pouco pior. Quem planeja financiar imóvel no curto prazo deve levar isso em conta antes de trocar de regime.

Dá para voltar de PJ para CLT depois?

Sim, sem impedimento legal. O que não volta é o tempo: os meses como PJ contam para a aposentadoria apenas na proporção do que foi recolhido de INSS, e o FGTS daquele período simplesmente não existe.

Cálculo baseado na Lei Complementar nº 123/2006 e alterações, e nas tabelas de INSS e IRRF vigentes em 2026. Estimativa simplificada para comparação: a tributação real depende da atividade, do município e da apuração contábil. Consulte um contador antes de decidir.